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TDAH e Avaliação Neuropsicológica

Marco Aurélio Mendes

O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é considerado a desordem comportamental mais comum na infância. Calcula-se que aproximadamente 5 % das crianças e adolescentes possuam o transtorno que é caracterizado por impulsividade, baixa capacidade de concentração e de resistência à distração, inquietude motora e agitação, maior frequência de acidentes,dificuldade de planejamento e de monitorização do próprio funcionamento. Em função deste quadro, o TDAH se apresenta como um fator importante no desempenho escolar, com maior freqüência de repetência, expulsões de sala e conflitos com outros colegas.

Por ser considerado um quadro crônico, o TDAH frequentemente persiste na idade adulta, observando-se uma presença maior de outros tipos de transtornos em pessoas com o problema, como TOC(transtorno obsessivo-compulsivo), abuso de drogas, freqüência de acidentes, transtorno de conduta,instabilidade nos relacionamentos afetivos e na vida profissional em adultos com TDAH. Alguns estudos apontam a taxa de persistência do TDAH em aproximadamente 90 % de jovens com 18 anos que já haviam sido identificados com TDAH na infância.

Acreditava-se que o TDAH era mais comum em meninos que em meninas. Na verdade, meninos tem mais sinais de hiperatividade do que meninas e por isto, a família acaba vindo mais cedo em busca de auxílio. Meninas possuem mais sinais de desatenção e a busca de auxílio começa geralmente mais tarde, quando as exigências acadêmicas e pessoais se impõem com mais força. Na vida adulta, há uma equivalência de homens e mulheres com TDAH. Quanto às causas do TDAH , ele é considerado uma síndrome heterogênea com a influência de fatores genéticos e psicossociais. Os fatores genéticos possuem grande impacto pois o risco de uma criança filha de um pai com TDAH, ter também o problema, pode ser de oito vezes maior do que uma criança sem nenhum familiar com o quadro. Dentro os transtornos psiquiátricos, o TDAH é considerado o que tem maior participação da genética.

Apesar de aparentemente simples, não é fácil identificar uma criança ou adulto com TDAH. Na infância, o diagnóstico está ligado a um excesso de coisas que a princípio, são comuns , como desatenção, impulsividade e hiperatividade. Além disto, muitos pais e professores,creditam a dificuldade de concentração à falta de vontade da criança, questionando-se o porquê dela conseguir se concentrar para jogar um vídeo game e não conseguir se concentrar para estudar. Hoje, sabe-se que mesmo o indivíduo com TDAH consegue se concentrar em atividades altamente estimulantes, com forte apelo visual, por exemplo. Já nos adultos, a dificuldade no diagnóstico vem do fato do indivíduo acreditar que não existe problema em ser da maneira que ele é, já que ele sempre foi assim.

O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, realizado geralmente por psiquiatra ou neurologista. Não são considerados necessários exames de imagens , a menos que o médico desconfie de outro problema.

A Avaliação Neuropsicológica é uma ferramenta de apoio importante para o diagnóstico e tem sido cada vez mais solicitada pelos médicos . É uma ferramenta de exclusividade do psicólogo que, baseado na entrevista clínica e na realização de uma série de testes , procura compreender o desempenho de diversas funções cognitivas como sustentação da atenção (concentração), a memória, linguagem e das funções executivas, termo este utilizado para se referir à capacidade do indivíduo de planejar, se antecipar aos problemas, e conseguir ter flexibilidade e estratégia para a realização de tarefas . Não é um exame invasivo, sendo geralmente bastante agradável não só para crianças como também para os adultos.

A Avaliação Neuropsicológica porém, não é uma mera aplicação de testes e leitura de resultados, funcionando também como um psicodiagnóstico, buscando a compreensão da personalidade e da subjetividade do indivíduo. Uma Avaliação Neuropsicológica bem realizada, não é realizada em um ou dois encontros , pois pode-se “forçar” demais o ritmo, interferindo-se assim nos resultados. Além disto, a ansiedade é um fator de impacto importante no desempenho, sendo necessário deixar o sujeito mais à vontade, com maior confiança no profissional, para que o resultado seja compatível com a real estrutura mental e emocional .

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