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Notícias de Psicologia


Por dentro do autismo- 10/2009
Onda de suicídios leva França a discutir cultura ‘pós-privatizações’- 10/2009
Depressão atrapalha sobrevivência após cancêr, diz estudo - 09/2009
Depressão será a doença mais comum do mundo em 2030, diz OMS - 09/2009
Relacionamento Familiar e TDAH - 07/2009




Por dentro do autismo - Débora Motta (Fonte: FAPERJ)


Dificuldades de estabelecer contato visual, de articular a fala, de prestar atenção aos outros e tendência ao isolamento social. Essas são apenas algumas das características do autismo, distúrbio que afeta, em média, um em cada 165 recém-nascidos no mundo. “O autismo é uma síndrome, não uma doença. Nem todos os pacientes apresentam retardo mental, mas ele gera prejuízos na interação social e na comunicação, além de padrões de interesse e comportamentos restritos e repetitivos”, explica a professora do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Carolina Lampreia, que coordena o Grupo de Pesquisa Autismo, Comunicação e Intervenção.

Carolina desenvolve, com auxílio à pesquisa (APQ1) da FAPERJ, o estudo Investigação de sinais precoces de risco de autismo em bebês com irmãos autistas. “Existe uma probabilidade maior de bebês com irmãos autistas apresentarem alguns sinais de autismo. Mas isso não significa que eles terão, obrigatoriamente, autismo”, assinala a pesquisadora, esclarecendo que a síndrome é concebida hoje como um transtorno de desenvolvimento de base biológica inata, embora sua causa ainda seja desconhecida. “Existem estudos que relacionam a contração de rubéola durante a gravidez com a incidência do autismo no bebê. O fator genético também pode ser uma etiologia”, conta.

A dificuldade para se chegar a um diagnóstico precoce é uma das principais barreiras ao tratamento também precoce da síndrome. Boa parte das crianças portadoras recebe diagnóstico tardio, depois dos três anos de idade. O diagnóstico do autismo conta atualmente com dois instrumentos oficiais: a CID-10 (International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems), elaborada pela Organização Mundial de Saúde, e o DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), da Associação Norte-Americana de Psiquiatria. Ambos determinam que o diagnóstico seja feito até os três anos de idade.

“Os itens de avaliação tanto da CID-10 quanto do DSM-IV são muito genéricos e não são adequados para o reconhecimento precoce. Por isso, outras fontes de informação sobre indicadores ainda mais precoces do autismo têm sido utilizadas, tais como o relato retrospectivo dos pais, a análise de vídeos familiares e pesquisas sobre comportamentos de atenção compartilhada”, diz a doutora em psicologia clínica.

A identificação de sinais de risco de autismo é importante para permitir uma intervenção também precoce, minimizar o sofrimento da família e tornar os profissionais de saúde e educação mais familiarizados e vigilantes aos primeiros sinais da síndrome. “Muitas vezes os pais suspeitam que seu bebê tem algum problema já com poucos meses de vida, porque não sorri, não vocaliza ou estabelece contato ocular. Mas, às vezes, o pediatra diz que a criança não tem nada”, justifica.Para identificar possíveis sinais de risco de autismo em bebês no primeiro ano de vida, Carolina e equipe recorrem à produção de vídeos. Eles filmam regularmente o comportamento de dois grupos: bebês que têm irmão com diagnóstico de autismo e bebês sem risco de autismo. “Filmamos a interação entre bebê e familiares adultos para avaliar principalmente o engajamento emocional, já que o pouco engajamento do bebê ou sua ausência podem ser considerados um indicador de risco", detalha.

"Utilizando o protocolo canadense Autism Observation Scale for Infants (AOSI), vamos observar outros indicadores de autismo por meio de um instrumento estandardizado”, conclui Carolina Lampreia. Ela acrescenta que até o fim da pesquisa espera poder identificar se há algumas categorias específicas que possam diferenciar o risco de o bebê desenvolver autismo em idade tão precoce.


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Onda de Suicídios na França (Fonte:BBC Brasil)

Uma onda de suicídios numa das maiores empresas francesas vem levando o país a discutir o "choque cultural" entre os valores tradicionais do funcionalismo público do país e o foco na competição adotado após processos de privatização.Após o 25º suicídio de um funcionário da France Télécom em apenas 20 meses, o governo francês fixou nesta semana um prazo para que grandes empresas do país adotem medidas contra o estresse no trabalho.A própria empresa, privatizada em 2004, anunciou a suspensão de seus processos de restruturação e de realocação obrigatória de funcionários após os 25 suicídios, além de 15 outras tentativas de empregados de tirar suas próprias vidas.


Para analistas, o fenômeno é consequência desse "choque cultural" que opõe a visão tradicional que atribuía ao funcionalismo público um caráter social e as novas políticas comerciais agressivas, que privilegiam o aumento constante das vendas e da rentabilidade. O primeiro “choque” empresarial sofrido pela France Télécom ocorreu em 1998, com a abertura do mercado francês de telecomunicações à concorrência, por determinação de uma diretiva europeia.A segunda grande transformação foi em setembro de 2004, quando a empresa foi privatizada, 115 anos após ter sido nacionalizada.Os empregados da operadora histórica de telefonia, que foram funcionários públicos durante mais de um século, se transformaram nos últimos anos em agentes comerciais e passaram a sofrer pressões constantes da direção em relação ao desempenho das vendas.Para enfrentar a concorrência, a direção da empresa criou um plano de restruturação que vem obrigando os funcionários a mudar de serviço, desempenhar novas funções e serem transferidos para outras áreas geográficas.


Após o 25° suicídio em menos de dois anos, além de 15 tentativas de outros empregados de pôr fim à vida, a direção da France Télécom anunciou a suspensão de todas as reestruturações até o dia 31 de dezembro.Em setembro, o grupo já havia anunciado o congelamento, também até o final do ano, da transferência obrigatória de trabalhadores para outras regiões.Muitos técnicos, que instalavam e faziam a manutenção das linhas telefônicas, se tornaram supérfluos devido às mudanças tecnológicas e também em razão do fato de o país ter atingido um nível de cobertura da rede que não necessitava mais a instalação de várias novas linhas, diz o economista Thomas Coutreau, que lida com questões de saúde no emprego no ministério francês do Trabalho.
“Eles se tornaram agentes comerciais sem preparo nenhum para a atividade. O trabalho deles não era vender qualquer coisa a qualquer preço. Eles viam antes sua função como um serviço público, algo que tinha valor para a sociedade. A cultura comercial de privilegiar vendas os deixou desestabilizados”, diz o economista.

O mal-estar dos empregados também foi ampliado pela instauração de uma competição individual, em relação a metas de vendas. “Isso minou a solidariedade entre os colegas”, afirma Coutreau.“Há 30 ou 40 anos, não havia suicídios no trabalho. O surgimento disso está ligado à desestruturação da solidariedade entre trabalhadores. Ela foi esmagada pela avaliação individual dos desempenhos”, diz o psicanalista Christophe Dejours, co-autor do livro “Suicídio e Trabalho, o que fazer?”.Os empregados que ocupam cargos de chefia na France Télécom também sofrem pressões da alta direção para demitir funcionários que não têm bom desempenho. O grupo demitiu 22 mil trabalhadores entre 2005 e 2008.

O psicanalista se diz cético em relação à utilidade dos questionários sobre o estresse no trabalho enviados nesta semana pela France Télécom aos seus empregados. A medida foi aprovada pelos sindicatos. “Essa pesquisa não diz o que é preciso fazer realmente”, afirma. Os suicídios na companhia comoveram a sociedade francesa e levaram a direção da France Télécom, que se recusa a demitir seu presidente, Didier Lombard, a substituir o número dois do grupo, Louis-Pierre Wenes.Para o economista Coutreau, a crise na France Télécom não teria alterado a imagem dos franceses em relação à empresa. “Muitos se identificam com esses problemas porque vivem pressões semelhantes no trabalho”, diz ele.
“Mas alguns pensam que os ex-funcionários públicos não sabiam o que era a vida profissional e não aguentam a competição no mercado de trabalho”, afirma.Entre os países ricos, a França possui uma das mais altas taxas anuais de suicídios, de 19,6 por 100 mil habitantes.

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Depressão atrapalha sobrevivência após cancêr, diz estudo (Fonte : BBC Brasil)

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A depressão pode aatrapalhar as chances de sobrevivência de pacientes com câncer, segundo estudo realizado no Canadá. Ao reunir e revisar 26 pesquisas separadas que envolveram mais de 9,4 mil pacientes, cientistas da Universidade de British Columbia descobriram que o número de mortes é 25% maior naqueles que mostravam sintomas de depressão.Nos casos de pacientes diagnosticados com o problema, a taxa de mortalidade é 39% maior.O risco também permanece mesmo quando consideradas outras características clínicas que afetam a sobrevivência.
Para os pesquisadores, a descoberta enfatiza a necessidade de se examinar com cuidado os pacientes de câncer para avaliar se não há sinais de problemas psicológicos.Segundo os cientistas, no entanto, ainda é necessário realizar novas pesquisas antes de se chegar a uma conclusão definitiva, já que é difícil descartar outros fatores que podem influenciar no quadro clínico de um paciente com câncer. Os pesquisadores também reforçam que, em geral, o risco de morte por causa da depressão durante um câncer é pequeno, e que os pacientes não devem se sentir obrigados a manter uma atitude positiva para combater a doença.O estudo mostrou ainda que o stress pode ter um impacto sobre o câncer, afetando o crescimento de tumores e o espalhamento da doença para outras partes do organismo.
Para os especialistas, os problemas emocionais podem atingir os hormônios ou o sistema imunológico, ou ainda fazer com que os pacientes acabem adotando um estilo de vida que não condiz com seu tratamento. Pesquisas anteriores já sugeriram que a depressão tem um grande impacto na mortalidade de vítimas de problemas cardíacos.
"É impressionante que a presença de sintomas depressivos ou o diagnóstico do problema possam ajudar a prever a mortalidade de pacientes de câncer", disse Jillian Satin, chefe da equipe de pesquisadores canadenses."Mas pessoas que estão com câncer não precisam entrar em pânico. O melhor a fazer é conversar com seus médicos sobre sua saúde mental e emocional", recomendou.

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Depressão será a doença mais comum do mundo em 2030, diz OMS (fonte: BBC Brasil)

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Dados divulgados nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas.
Segundo a OMS, a depressão será também a doença que mais gerará custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamento para a população e às perdas de produção. De acordo com o órgão, os países pobres são os que mais devem sofrer com o problema, já que são registrados mais casos de depressão nestes lugares do que em países desenvolvidos.
Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas diretamente por transtornos mentais, a maioria delas nos países em desenvolvimento, segundo a OMS. As informações foram divulgadas durante a primeira Cúpula Global de Saúde Mental, realizada em Atenas, na Grécia.
"Os números da OMS mostram claramente que o peso da depressão (em termos de perdas para as pessoas afetadas) vai provavelmente aumentar, de modo que, em 2030, ela será sozinha a maior causa de perdas (para a população) entre todos os problemas de saúde", afirmou à BBC o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS.
Ainda segundo Saxena, a depressão é mais comum do que outras doenças que são mais temidas pela população, como a Aids ou o câncer. "Nós poderíamos chamar isso de uma epidemia silenciosa, porque a depressão está sendo cada vez mais diagnosticada, está em toda parte e deve aumentar em termos de proporção, enquanto a (ocorrência) de outras doenças está diminuindo."
Segundo o médico, os custos da depressão serão sentidos de maneira mais aguda nos países em desenvolvimento, já que eles registram mais casos da doença e têm menos recursos para tratar de transtornos mentais.
"Nós temos dados que apontam que os países mais pobres têm (mais casos de) depressão do que os países ricos. Além disso, até mesmo as pessoas pobres que vivem em países ricos têm maior incidência de depressão do que as pessoas ricas destes mesmos países", afirma Saxena. "A depressão tem diversas causas, algumas delas biológicas, mas parte dessas causas vem de pressões ambientais e, obviamente, as pessoas pobres sofrem mais estresse em seu dia-a-dia do que as pessoas ricas, e não é surpreendente que elas tenham mais depressão."
Segundo o médico, o aumento nos casos de depressão e os custos econômicos e sociais da doença tornam mais urgentes uma mudança de atitude em relação ao problema.
"A depressão é uma doença como qualquer outra doença física, e as pessoas têm o direito de ser aconselhadas e receber o mesmo cuidado médico que é dado no caso de qualquer outra doença."


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Relacionamento Familiar e TDAH (fonte: Faculdade de Medicina da UFMG)

Um estudo qualitativo, voltado para compreender melhor um distúrbio que atinge entre 5% e 13% das crianças e jovens em todo o mundo, foi desenvolvido pela psicóloga Vânia Lúcia de Morais Ribeiro junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG.A pesquisadora entrevistou 18 famílias, todas responsáveis por crianças e adolescentes – com idade entre 7 e 16 anos – portadores de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
O objetivo foi investigar como anda o relacionamento sócio-afetivo dessas famílias, assim como também compreender o porquê dessas famílias tomarem algumas ações no dia-a-dia.
“Acreditamos que conhecer o ponto de vista dos pais, suas dificuldades, crenças, valores, atitudes, tendências e percepções, possa nos ajudar a compreender melhor este fenômeno, que vem crescendo em nossa sociedade”, afirma a pesquisadora.
O princípio é o de que a família do portador de TDAH é o primeiro núcleo responsável pela preparação desses indivíduos para a vida social, para o mundo e para o futuro. “Por isso, ela é o alvo de atenção de nosso estudo”, afirma.O estudo constatou que o relacionamento entre os membros dessas famílias é muito difícil. Um dos motivos é o alto nível de estresse a que ambos são submetidos diariamente, e que pode influenciar suas vidas de forma marcante. Pessoas com TDAH podem ser talentosas, criativas e bem sucedidas, mas sem ajuda adequada podem não conseguir superar suas limitações, acumulando frustrações que, ao longo da vida, poderão gerar quadros mais graves como a depressão e os transtornos de ansiedade.
A análise dos dados mostra que as dificuldades impostas pelo TDAH para a condução da educação dos filhos somadas às dificuldades sociais e escolares podem resultar em condutas inadequadas na educação das crianças.Também ocorrem maus tratos físicos e emocionais por parte dos pais e professores, além de haver exclusão e discriminação contra as crianças e suas famílias. “O sistema de saúde também parece estar despreparado para lidar como problema”, diz a psicóloga.
Segundo Vânia de Morais, um diagnóstico correto já tem um impacto positivo no relacionamento familiar, uma vez que ameniza o sentimento de culpa, tanto dos pais quanto dos filhos pelos comportamentos inadequados, diminuindo assim a hostilidade entre eles.


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